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I Fórum Nacional de Imobilização no Trauma

Há mais de 50 anos, o uso de dispositivos de imobilização é a conduta padrão no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) às vítimas de trauma em todo mundo, em especial o uso do colar cervical e da prancha longa. Recentes discussões sobre as imobilizações no trauma têm atraído interesse de diversos profissionais e serviços de APH no Brasil .

A Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT) tem acompanhado estas discussões e através do seu Comitê de Pré-Hospitalar, se posiciona em favor do fortalecimento de uma análise crítica baseada em evidências científicas, mas também considerando todas as particularidades vivenciadas pelo modelo de atendimento ao trauma no Brasil. Neste sentido, a SBAIT convida a todos os profissionais interessados nesse debate, a participar do  I Fórum Nacional de Imobilização no Trauma, que reunirá entidades e profissionais responsáveis em oferecer as melhores práticas ao paciente vítima de trauma.  Confira como participar:

 

Sobre o evento:

Data: 28.02.2019

Auditório da Associação Paulista de Medicina (APM) | São Paulo – SP

Horário: 09h00 – 12h00

Público alvo: entidades e profissionais que atuam na atenção ao trauma

Transmissão por Telemedicina

*Inscrições presenciais estão esgotadas, em breve informações sobre a transmissão por telemedicina 

 


Programação

09h00 – Abertura e boas vindas – Tércio de Campos (Presidente Sbait)

09h15 –  O porquê de imobilizar e os primeiros questionamentos – Ricardo Galesso

09h30 –  Estado atual de recomendações da imobilização – Lucas Certain

09h45 –  Resgate veicular: técnicas atuais de extricação – Diego Blanco

10h00 –  Podemos aplicar inteiramente as recomendações? Visão e reflexões para o Brasil – Daniel Lima

10h15 –  O olhar das Sociedades Médicas Convidadas

10h40 – 12h00- Discussões e construção de perguntas chaves para construção de um Consenso-   Daniel Lima , José Cruvinel Neto

ESTACIONAMENTO CONVENIADO APM

Com acesso direto ao prédio da APM

Multipark Edifício Dr. Florisval Meinão 
Endereço: Rua Francisca Miquelina, 67
Horário de funcionamento: segunda a sexta das 7h às 23h, sábado das 7h às 18h

Horários/Valores do estacionamento:

07h às 19h – R$ 16,00 – em dias da semana

 

*Imagem em destaque: Simulado Nacional SBAIT de Múltiplas Vítimas, em Manaus – 2017.

APH

Imobilização no trauma: necessidade de discussões no Brasil

Há mais de 50 anos, o uso de dispositivos de imobilização é a conduta padrão no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) às vítimas de trauma em todo mundo, em especial o uso do colar cervical e da prancha longa. Os primeiros estudos que indicaram a imobilização de coluna foram publicados na década de 60, com a base teórica de prevenir lesões secundárias e evitar falhas no reconhecimento de lesões da coluna, levando em consideração o mecanismo do trauma. Nesta época, foram projetados os primeiros modelos de pranchas e rapidamente, os dispositivos e a prática de imobilização foram incorporados no APH. A prática se fortaleceu globalmente, seguindo a recomendação: “na suspeita de lesão de coluna, imobilize e na dúvida, imobilize”.

Os primeiros artigos sobre efeitos adversos do uso da prancha foram publicados na década de 80, relacionados essencialmente a quatro problemas: dor/desconforto, comprometimento respiratório, compressão de partes moles e ineficiência em garantir imobilização. Nos últimos 18 anos, houve uma discussão crescente com base na Medicina Baseada em Evidências, quanto a prática médica tradicionalmente estabelecida de imobilização no trauma. Estudos em trauma penetrante, mostraram efeitos adversos com o uso do colar cervical. Resultados também semelhantes em estudos de trauma fechado, que além dos efeitos adversos, não identificaram efeitos benéficos na evolução neurológica dos pacientes. Sugerindo que as lesões secundárias não seriam relacionadas com a falta de imobilização da coluna.

Recomendações com “imobilização seletiva” e “restrição da movimentação da coluna (RMC)” ganharam força e impulsionaram as discussões quanto às indicações, contraindicações, benefícios, desvantagens e aspectos técnicos de aplicação. Desde 2013, entidades como a americana National Association of EMS Physicians (NAEMSP) tem se posicionado com orientações sobre o uso de dispositivos de imobilização e sugerindo a diminuição do uso de prancha. Em 2018, junto com a NAEMSP, o Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões (ACS-COT) e o Colégio Americano de Médicos de Emergência, divulgaram um posicionamento quanto a pontos de consenso em relação ao uso de imobilização, como o uso da RMC e prancha longa.

Mais recentemente, estas discussões têm atraído interesse de diversos profissionais e serviços de APH no Brasil. A Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT) tem acompanhado estas discussões e através do seu Comitê de Pré-Hospitalar, se posiciona em favor do fortalecimento de uma análise crítica baseada em evidências científicas, mas também considerando todas as particularidades vivenciadas pelo modelo de atendimento ao trauma no Brasil. Neste sentido, a SBAIT realizará em fevereiro o I Fórum Nacional de Imobilização no Trauma, reunindo entidades e profissionais responsáveis em oferecer as melhores práticas ao paciente vítima de trauma. Em breve , mais informações.

 

Daniel Souza Lima

Comitê de Pré-Hospitalar da SBAIT

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