Na quinta-feira (7 de março) o presidente Jair Bolsonaro defendeu o fim das lombadas eletrônicas nas rodovias. O mesmo entende que o principal objetivo dos equipamentos não é reduzir o número de acidentes. Segundo Bolsonaro, no Brasil, é quase impossível viajar sem receber multa.

Esta afirmação traz muita preocupação com o estado atual dos prontos socorros que já se encontram cheios de pacientes vítimas do trânsito que mata certa de 40.000 brasileiros por ano.

Dados do DATASUS, compilados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, o Brasil possui uma taxa de mortes no trânsito por 100.000 habitantes de 18,9 sendo que Roraima, Piauí e Tocantins superam a taxa de 38 mortes por 100.000 habitantes.

Os limites de velocidade são estabelecidos engenheiros em função do tipo, da geometria e das condições da estrada, do tipo de veículos que nela circulam e nas possibilidades climáticas que podem ocorrer e alterar as condições de trafegar.

Velocidades mais altas aumentam o risco de uma colisão por uma série de razões:

  • É mais provável que o condutor perca o controle do veículo
  • Não se antecipe a tempo aos perigos que se aproximam
  • Também faça com que os outros usuários da via subestimem a velocidade do seu veículo.

Quanto maior a velocidade, maior a distância percorrida em determinado intervalo de tempo, maior a distância percorrida para reação do motorista e maior a distância para parar o veículo em caso de necessidade.

Na tabela abaixo, extraída do Manual da Organização Mundial de Saúde (Gestão da Velocidade) fica evidente a importância do controle de velocidade:

Outro dado importante a ser reforçado e que os pedestres, logo depois dos motociclistas, são as maiores vítimas do excesso de velocidade.

No gráfico abaixo e demonstrado o risco de morte do pedestre conforme se eleva a velocidade do veículo causador.

Transport Research Centre: Speed Management report, Paris 2006

Na Austrália, o limite de velocidade na rede viária de Melbourne passou de 100 km/h a 110 k/h em 1987 e depois voltou a 100 km/h em 1989. Em comparação com uma área de controle, onde o limite de velocidade permaneceu o mesmo, a taxa de lesões por colisão por quilômetro percorrido aumentou 24,6 % quando o limite de velocidade aumentou, e diminuiu 19,3 % quando o limite de velocidade diminuiu (Sliogeris J. 110-kilometre per hour speed limit: Evaluation of road safety effects, Melbourne, 1992).

Diante do exposto é importante que a sociedade discuta e aprofunde o nível de informações, pois mortes no trânsito são em sua grande maioria evitáveis e em jovens. E, caso as concessionárias pratiquem ações inadequadas com os recursos das autuações, que sejam punidas com rigor e não nossos filhos.

Por Danilo Stanzani, diretor do comitê de prevenção SBAIT ( gestão 2019/2020)