Representantes de Serviços de Trauma do País reunidos em Brasília

Iniciativa da SBAIT tem como objetivo melhorar o atendimento às vítimas de Trauma no País

Representantes de cerca de 20 serviços de Trauma do País  reuniram-se nessa terça-feira, 11, em Brasília, para discutir a ampliação do tempo de residência de um para dois anos na área de atuação de Cirurgia do Trauma. A mudança, que vem sendo pleiteada há anos pela SBAIT (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado), tem como principal objetivo melhorar a formação dos cirurgiões de trauma, que são os responsáveis pelos cuidados cirúrgicos em situações de urgência e emergência e, consequentemente, melhorar o atendimento prestado às vítimas de trauma.

O encontro de Brasília foi dividido em dois momentos. No primeiro, às 11h, os cirurgiões se reuniram no Hospital de Base para finalizar a proposta da residência para o período de dois anos. Na sequência, às 14h, eles estiveram no Ministério da Educação, com a coordenadora geral das Residências em Saúde da Secretaria Executiva Nacional da Comissão Nacional de Médicos Residentes (CNRM) do MEC, Rosana Leite de Melo.

“Na primeira reunião, definimos todos os detalhes da residência de Cirurgia do Trauma em dois anos e, na segunda, apresentamos ao governo. A cirurgia do Trauma é uma área muito importante e nós sabemos que a formação em nosso País não é suficiente para que o profissional de fato esteja preparado para o atendimento às vítimas, já que é uma área que exige procedimentos rápidos, decisões imediatas, intervenções agressivas e, muitas vezes, lidar com a iminência da morte”, destaca o coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Geral do Conselho Federal de Medicina (CFM), Jorge Carlos M. Curi.

De acordo com dados do DataSUS, 155.861 pessoas morreram vítimas de Trauma em 2016 no Brasil. “O Trauma é a terceira causa de morte do País, de forma geral, e a primeira, dentro da população mais jovem. A maioria é vítima da violência e de ocorrências de trânsito. O primeiro atendimento prestado a essas pessoas é crucial para evitar óbitos e para minimizar possíveis sequelas. Por isso, precisamos ter profissionais bem formados. Muitos hospitais do País estão em situações precárias, sem recursos. O trauma é muito negligenciado no Brasil e ele precisa se tornar uma prioridade, tanto em políticas públicas de prevenção quanto no atendimento”, afirma o presidente da SBAIT, José Mauro da Silva Rodrigues.

Atualmente, para um médico se tornar cirurgião do Trauma, ele precisa cursar a faculdade de Medicina, fazer três anos de residência em Cirurgia Geral e mais um ano em Cirurgia do Trauma. “O Brasil era um dos únicos países do mundo que conferia o título de Cirurgião Geral ao médico após dois anos de residência. Em 2018, este tempo passou para três anos, o que já foi um avanço. Mas, com mais um ano de área de atuação em Cirurgia do Trauma, ainda não é possível formar um profissional que conheça epidemiologia, prevenção, atue em pré-hospitalar, seja competente em diagnóstico e conduta (cirúrgica ou não) na sala de urgência, tenha liderança para atuar com outros profissionais e especialidades médicas que o traumatizado grave exige, que desenvolva a técnica cirúrgica de casos complexos, atue em unidade de terapia intensiva cirúrgica, registre e monitore a qualidade do atendimento prestado, auxilie na reabilitação da vítima, desenvolva pesquisa, entre outras habilidades que precisam ser adquiridas nessa fase de treinamento”, reforça Gustavo Pereira Fraga, diretor da SBAIT.

Se a proposta da SBAIT for aprovada, serão cinco anos de formação, em vez de três, como era feito até 2017. Com isso, o Brasil se aproxima do que é realizado em países do primeiro mundo.