Os principais temas e abordagens para o tratamento adequado às vítimas de trauma foram o foco do 1º Simpósio de Trauma do CHN, realizado em parceria com a Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT) no dia 8 de março no H Niterói Hotel, em Ingá, zona sul de Niterói. Destinado a especialistas, profissionais da área, técnicos e equipe de atendimento pré-hospitalar, o evento contou com a participação internacional do dr. Antônio Marttos, diretor de Telemedicina do Trauma no Ryder Trauma Center e professor na Universidade de Miami, nos Estados Unidos.

Referência na área, dr. Marttos, que também atua junto ao Exército americano no Iraque, mostrou a importância dos hospitais estarem bem preparados para lidarem com situações em que muitos pacientes politraumatizados chegam de uma única vez, como em desastres e atentados. Pioneiro em Telemedicina, o especialista também compartilhou os benefícios de auxiliar equipes remotamente em qualquer parte do mundo através de videoconferências, ajudando na análise de casos de trauma complexos sem a presença de médicos especializados na área. Segundo o médico, por estar fora do ambiente de pressão, o cirurgião de trauma tende a melhorar a experiência do paciente, contribuindo para bons resultados.

Dr. Helio Machado Vieira Jr, diretor capítulo SBAIT-RJ, reforça a importância de eventos para debater a doença trauma e trocar experiências

Avanços tecnológicos na área foram destaque do simpósio

 “Estudos comprovam que um paciente traumatizado, quando atendido em um hospital com serviços e equipe especializados em trauma, tem 25% mais chances de sobreviver. Além disso, 47% das mortes no mundo, entre pessoas de 1 a 46 anos, são decorrentes de lesões causadas por trauma” – Dr. Helio Machado Vieira Jr.

“É essencial que eventos como este sejam feitos, para que todos os profissionais envolvidos no atendimento aos pacientes politraumatizados possam debater a doença e trocar experiências multidisciplinares”, explica Helio Machado Vieira Jr., presidente da SBAIT-RJ e coordenador médico do Centro de Trauma do CHN que mediou mesas de debates no simpósio.

Ao longo do dia foram debatidos assuntos como catástrofes e grandes eventos, trauma em imagens, trauma de extremidades, atendimento inicial ao traumatizado e outros. Diversos temas trataram sobre tecnologias usadas para lidar com o trauma e as possíveis sequelas que ele pode deixar, como o uso de células-tronco no tratamento de pacientes paralisados e estratégias para preservação de membros com lesões. Em pleno Dia Internacional da Mulher, a chefe de enfermagem Luciane Fêlix, que atua no Centro de Trauma do CHN, falou sobre trauma em gestantes e violência doméstica, ensinando a identificar sinais de que a paciente tenha sofrido agressões por parte do companheiro.

“O trauma é a principal causa de morte não relacionada a causas obstétricas durante a gestação. Adotar as atitudes de prevenção adequadas tem papel fundamental na preservação da saúde tanto do feto quanto da mãe”, afirma Luciane.

Dr. Antônio Marttos da Universidade de Miami durante sua palestra no 1 Simpósio de Trauma do CHN

Conscientização da população é melhor forma de prevenir o trauma

O trauma causado por afogamento foi outro assunto que gerou debate. Segundo o dr. David Szpilman, diretor médico da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) e referência internacional na área, o Rio de Janeiro detém hoje o maior número de resgates em todo o mundo. No Brasil, 17 pessoas morrem afogadas por dia, sendo 75% dos óbitos em água doce.

“Trauma é prevenção, é evitar que aconteça. Por isso precisamos dar a devida importância às campanhas de conscientização que são direcionadas à população, elas são o melhor caminho para prevenir afogamentos”, explica dr. Szpilman.

A urgência da conscientização por parte do público foi mencionada também pela palestrante Andreia Escudeiro, oficial médica do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ela, 50% das mortes acontecem logo após o acidente, e a parceria entre os bombeiros e os hospitais de redes privadas é fator fundamental para que os demais 50% dos pacientes tenham atendimento ágil e eficaz.

 “Tecnologia de ponta associada a um time de especialistas treinados e aptos a atender diferentes tipos de trauma é essencial para oferecer excelência à população e o melhor prognóstico ao paciente” – Ilza Fellows, diretora-geral do CHN.

O Complexo Hospitalar de Niterói é o único hospital da Região Norte-Leste Fluminense que oferece um centro especializado em trauma, além de dispor de equipe formada por cirurgiões gerais, neurocirurgiões, torácicos, ortopedistas, plásticos, vasculares e toda a estrutura de um hospital de grande porte para atendimento de forma integral.

Dr. Alair Sarmet, Dr. Almerindo de Souza Jr., Moyzes Damasceno, Dra. Ilza Fellows, Dr. Antônio Marttos e Dr. Helio Machado Vieira